As vezes me vejo metido numa fria. Trânsito para ir até a esquina. Filas para entrar numa balada. Filas para entrar no cinema. Fila para qualquer coisa. Desde o ano passado venho dizendo que isso é pq “tem gente demais tentando se divertir ao mesmo tempo”. Aquele mundo de gente, que se fodeu a semana toda, o dia todo, trabalhando, no trânsito, no escritório, agora está num momento de ‘lazer’, e precisa urgentemente se divertir; fazem absolutamente qualquer coisa e passam qualquer perrengue necessário para fazer algo que outras pessoas igualmente estressadas chamariam convencionalmente de ‘diversão’.
Isso, claro, deriva da idéia básica que tem gente demais no mundo. Mas muita gente mesmo. E a quantidade de imbecis aparenta aumentar exponencialmente com a quantidade total de pessoas. Para um sociofóbico como eu, isso quer dizer: fique o mais longe possível de aglomerações; ao se cercar de pessoas, tente ao máximo manter a proporção de pessoas que já conhece em 1 para 1. (Hoje em dia estou perto da crise absoluta, que é “não saia de casa; não vale a pena”).
Um exemplo clássico de ‘diversão’ é ir ao cinema. Você paga caro (dois ingressos de cinema == 1 DVD original), pega trânsito para chegar, ao chegar fica horas rodando procurando uma vaga para estacionar, depois fica numa fila em ziguezague suando, pois fora da sala de cinema não tem ar condicionado; depois você entra na sala, e morre de frio, pois está suado e o ar agora está no máximo. Daí você assiste a 40 minutos de propaganda, que você não solicitou, e aí sim poderá assistir ao seu filme. Isso sim é diversão! Ou então, você pode também chegar ‘atrasado’ na sala (na hora marcada), e pegar um lugar na primeira fila, e ficar com torcicolo olhando para cima/lados tentando enxergar alguma coisa. Pelo menos não terá ficado na fila tanto tempo…
Este último domingo fui ao cinema, com minha mulher e minha afilhada, ver um filme infantil, dublado. Até que não tinha trânsito! Não pegamos fila também. Chegamos 30 minutos antes da hora marcada para o filme, e sentamos na quarta fileira, com o cinema já quase lotado. Mesmo assim parecia bom demais. Then came the catch. Always a catch. Na fileira de trás, sobravam dois lugares pouco antes de começar o filme. Chega uma família, o pai, a mãe, e duas crianças, de uns 3 anos. Como estamos no Brasil, e esses caras eram brasileiros, lógico, solução óbvia e correta, sentam-se os quatro nas duas cadeiras, com as crianças no colo, logo atrás de nós. Não precisaria ir longe para imaginar o que aconteceu durante o filme… uma das crianças, que não ficava sentada no colo dos pais, ficou o filme todo pendurada na minha poltrona, gritando de vez em quando na minha orelha. Pior que a criança, o pai do infeliz passou o tempo inteiro tentando ‘acalmar’ a criança, sem calar a boca por um segundo sequer. Uma hora perdi a cabeça e gritei para o infeliz atrás que calasse a boca, “porra”. Pronto, agora eu sou grosso, e mal-educado…
De qualquer maneira, essa familinha-imbecil me mostrou um novo patamar de “gente demais, tentando demais, se divertir ao mesmo tempo”. Não basta me divertir, tenho que me divertir a valer, a qualquer custo!